A importância da participação da família no tratamento de saúde

Publicado em Junho 10, 2024

5 minutos

Homem e mulher com CPAP dormindo juntos

Saiba qual é o impacto do apoio familiar no tratamento de saúde de pacientes com doenças crônicas, como a Apneia do Sono.

No Brasil, mais da metade da população adulta (52,4%) relatou ter pelo menos uma doença crônica diagnosticada, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, realizada pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde. Essa realidade não afeta apenas o paciente, mas também toda a sua rede de apoio, exigindo adaptações importantes na rotina familiar.

Dependendo da enfermidade, o tratamento pode envolver acompanhamento contínuo com fisioterapeutas e outros especialistas. Esse cenário exige o envolvimento constante da família, que passa a ter um papel ativo na promoção da saúde e da qualidade de vida do paciente.

Reconhecer a importância desse apoio permite adotar estratégias mais eficazes para facilitar a adaptação à nova realidade e estimular a adesão ao tratamento. Isso envolve desde o acolhimento emocional até a reorganização da rotina e o incentivo à autonomia do paciente.

Estudos indicam que práticas como psicoeducação, participação em grupos de apoio, psicoterapia e terapias complementares são recursos adotados por muitas famílias para auxiliar no processo terapêutico — com foco sempre no bem-estar e na manutenção da saúde.

A seguir, confira atitudes que fazem a diferença no papel da família como suporte no tratamento de doenças crônicas:

Acolhimento e suporte para adesão ao tratamento

Nas doenças crônicas que comprometem a qualidade de vida — como Apneia Obstrutiva do Sono (AOS), DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), diabetes ou doenças cardiovasculares — o apoio familiar é essencial para o sucesso do tratamento.

A consultora de Terapia Respiratória da VitalAire Clinic Salvador, Vivian Neris, diz que “ao integrar o companheiro ao tratamento, o paciente se sente acolhido nesse processo terapêutico e apresenta melhores resultados”. 

Neste caso, ela fala especificamente da doença de Apneia Obstrutiva do Sono que, atualmente, atinge 6% da população adulta do mundo todo, além de que, em 75% dos casos, o primeiro sinal se dá depois da reclamação do parceiro em relação ao ronco, segundo Benjafield Adam V et al 2019 e European Respiratory Society White Book.

Dentre as medidas indicadas, estão primeiramente a aceitação do uso de CPAP — equipamento utilizado no tratamento da apneia do sono — no quarto, o auxílio para colocar a máscara e o incentivo ao uso do dispositivo em todas as noites para melhorar a qualidade do sono.

Acompanhamento em consultas, escuta ativa e o incentivo ao uso adequado de equipamentos médicos - como CPAPs e oxigenoterapia domiciliar - são atitudes que fortalecem o vínculo familiar e ajudam o paciente a manter sua rotina terapêutica com mais motivação e confiança.

Mulher acordando disposta e homem dormindo confortável

Adesão de bons hábitos

De acordo com dados da WebMD, pacientes que sofrem de distúrbio do sono impactam também a saúde daqueles que não sofrem da mesma doença crônica. A pesquisa mostra que estes parceiros podem perder quase uma hora de sono todas as noites, impactando em seu humor, imunidade, desequilíbrio hormonal e aumento do apetite.

Para auxiliar a regularização e qualidade do sono, existem alguns hábitos que precisam ser aplicados para pacientes que sofrem de apneia do sono e seus parceiros, como:

  1. Evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas uma vez que o álcool é um estimulante;
  2. Optar por refeições mais leves pois alimentos muito pesados podem causar indigestão;
  3. Controlar o consumo de cafeína, principalmente após as 17h, sendo um dos principais motivos para uma noite mal dormida;
  4. Praticar atividade física mais cedo, pois quando realizada muito próximo do horário de dormir pode elevar a temperatura corporal, acelerar os batimentos cardíacos e aumentar a liberação hormonal como a adrenalina, o que não favorece o estágio de relaxamento durante o sono. 

Outros hábitos igualmente não encorajados — como fumar, por exemplo — podem agravar os sintomas da apneia do sono. Para um sono de qualidade e uma noite tranquila, é fundamental que você crie um espaço propício que seja silencioso, escuro — para estimular o hormônio do sono — e não tenha estímulos tecnológicos.

Mulher dormindo com CPAP acompanhada do marido

Tratamentos complementares

Terapias complementares são grandes aliadas no cuidado emocional e físico dos pacientes com doenças crônicas. Nesse contexto, a participação da família é igualmente importante.

A adoção conjunta de hábitos saudáveis — como alimentação balanceada, prática de atividades físicas, meditação e técnicas de relaxamento — beneficia não apenas o paciente, mas todos ao seu redor. Esse envolvimento mútuo fortalece laços, promove bem-estar e cria um ambiente mais favorável ao tratamento.

Além disso, o suporte emocional constante pode reduzir sentimentos de medo, frustração e ansiedade, comuns durante a convivência com uma doença de longo prazo.

Convivência afetiva e escuta ativa

Mais do que ajudar nas tarefas do dia a dia, estar presente com atenção e empatia faz toda a diferença. Ouvir sem julgamentos, respeitar o tempo do paciente, participar das decisões e compartilhar momentos agradáveis são formas simples, mas poderosas, de mostrar apoio.

Essa convivência afetuosa contribui para a estabilidade emocional do paciente, criando uma rede de confiança e acolhimento que favorece o sucesso do tratamento.

Conclusão

O envolvimento da família no tratamento de doenças crônicas vai muito além do cuidado físico. Ele representa uma base emocional sólida que sustenta o paciente nos momentos mais difíceis, estimula sua autonomia e reforça a importância de seguir o plano terapêutico.

Com acolhimento, informação e presença ativa, a família pode transformar o tratamento em um processo mais leve, humano e eficaz — promovendo qualidade de vida não apenas para quem está em tratamento, mas para todos ao seu redor.

Referências

Agência Brasil. “IBGE: pelo menos uma doença crônica afetou 52% dos adultos em 2019”. 2020. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2020-11/ibge-pelo-menos-…;
BROTTO, Aline Maran; GUIMARAES, Ana Beatriz Pedriali. A influência da família no tratamento de pacientes com doenças crônicas. Psicol. hosp. (São Paulo), São Paulo, v. 15, n. 1, p. 43-68, jan. 2017. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-74092…;
Philips. (s/d). "Como a apneia do sono afeta mais do que você imagina" Disponível em: https://www.philips.com.br/c-e/hs/better-sleep-breathing-blog/better-sl…
Benjafield Adam V et al. Estimation of the global prevalence and burden of obstructive sleep apnoea: a literature-based analysis. Lancet Respir Med. 2019;7(8):687-698. doi:10.1016/S2213-2600(19)30198-5 Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31300334/
Sleep breathing disorders – European Respiratory Society White Book (chapter 23) Disponível em: https://www.erswhitebook.org/files/public/Chapters/23_sleep.pdf