O que é a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica?

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma doença respiratória crônica caracterizada pela inflamação crônica dos brônquios e diminuição da capacidade pulmonar, causando dificuldade para respirar (dispneia) principalmente durante os esforços.

Entendendo a DPOC

Pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica apresentam inflamação das vias respiratórias, dos brônquios e do tecido pulmonar em particular. Normalmente, a DPOC é causada pela fumaça de cigarros ou inalação de compostos nocivos. Essa inflamação leva a um estreitamento das vias aéreas, impedindo a passagem do ar. 

Dependendo do estágio da doença, os alvéolos pulmonares são eventualmente destruídos: isso é chamado de enfisema pulmonar (ou enfisema). O enfisema é, portanto, definido pela destruição dos alvéolos pulmonares e desaparecimento das trocas gasosas que ali ocorrem normalmente, resultando na redução da capacidade pulmonar do paciente. Com isso, o risco de AVC e infarto do miocárdio dobra. 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a DPOC é a terceira causa de morte no mundo, atrás apenas das doenças isquêmicas do coração e do acidente vascular cerebral.

  • Em todo o mundo 210 milhões de pessoas

  • Afeta 10% da população de 40 a 60 anos

Sintomas da DPOC

DPOC causa falta de ar, tosse e expectoração

O principal sintoma da doença pulmonar obstrutiva crônica é a falta de ar (dispneia) aos esforços, seguido por tosse crônica e produção de expectoração.

Esses sintomas inespecíficos da DPOC se assemelham aos da bronquite crônica, levando a um diagnóstico tardio da doença. 

Episódios de exacerbação e piora prolongada dos sintomas como falta de ar (inclusive em repouso), aumento da tosse com ou sem expectoração podem ocorrer devido a uma infecção do trato respiratório inferior (pulmões) e são mais comuns nos estágios avançados da doença, podendo levar a quadro de insuficiência respiratória.

O principal sintoma: falta de ar aos esforços

Você possui dificuldade com algumas dessas atividades?

Se tiver dificuldade para realizar atividades cotidianas como essas, principalmente pela manhã, consulte o seu médico.
80% dos casos de DPOC são atribuídos ao tabagismo.

Outros fatores podem aumentar o risco de DPOC ou contribuir para o seu agravamento:

  • Fumante passivo. Ainda assim, um terço das pessoas que apresentam a DPOC nunca fumou;
  • Poluição do ar é considerada um fator agravante importante, o que aumenta o risco de episódios de exacerbação;
  • Infecções frequentes do trato respiratório inferior na infância podem ser responsáveis ​​pela ocorrência de DPOC na idade adulta;
  • Exposição a poeira e produtos químicos, principalmente relacionados a certas atividades profissionais, é responsável por 15% dos casos de DPOC;
  • Na maioria das vezes, a DPOC leva à diminuição da atividade física e à redução da tolerância ao exercício. Esse declínio da atividade é um fator agravante da doença, causando o conhecido fenômeno da espiral do descondicionamento;
  • Como em qualquer doença multifatorial, também existe um componente genético: um estudo britânico mostrou que fumantes que têm em seu círculo familiar (primeiro grau de relacionamento) uma pessoa que desenvolveu um caso grave de DPOC antes dos 55 anos, estão três vezes mais propensos a desenvolver obstrução das vias aéreas do que fumantes sem história familiar. Esse estudo sugere que fatores genéticos que interagem com o consumo de tabaco influenciam no aparecimento da doença.

Saiba mais sobre a DPOC

Referências

1. Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease. Global Strategy for the diagnosis management and prevention of chronic obstructive pulmonary disease. Mis à jour en 2017; disponible sur http://goldcopd.org/gold-2017-global-strategy-diagnosis-management-prev
2.ERS. Chronic obstructive pulmonary disease in: European lung white book. Disponible sur https://www.erswhitebook.org/chapters/chronic-obstructive-pulmonary-disease/
3.http://www.who.int/gard/publications/chronic_respiratory_diseases.pdf
4.www.who.int/mediacentre/factsheets/fs310/en/
5.OMS. Bronchopneumopathie chronique obstructive (BPCO). Aide mémoire N°315, octobre 2014. Disponible sur www.who.int/mediacentre/factsheets/fs315/fr/; consulté le 05/11/2014

FAQ´s

Qual a diferença entre DPOC e outras doenças respiratórias, como asma?

A principal diferença entre a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) e a asma está na reversibilidade da obstrução das vias aéreas. Na asma, embora seja uma condição crônica, a dificuldade para respirar é geralmente reversível, com crises desencadeadas por gatilhos como alergias e que melhoram com medicação. A doença costuma aparecer na juventude.

Já na DPOC, a limitação do fluxo de ar é progressiva, pois há um dano permanente nos pulmões. A causa principal é o tabagismo prolongado e a doença se manifesta mais tardiamente, geralmente após os 40 anos. A DPOC engloba condições como a bronquite crônica (tosse constante com catarro) e o enfisema (destruição dos alvéolos pulmonares).

Em suma, enquanto a asma é uma inflamação que apresenta fases de agudização, a DPOC é um desgaste contínuo e progressivo do pulmão. A distinção é crucial, pois o tratamento e o prognóstico para cada uma são muito diferentes.

Quais são os sintomas mais comuns no início da DPOC?

No início, a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) se desenvolve de forma lenta e silenciosa, com sintomas que muitas vezes são sutis e facilmente ignorados ou atribuídos ao envelhecimento natural, à falta de preparo físico ou ao "cigarro de sempre". Reconhecer esses sinais precoces é fundamental para um diagnóstico rápido e para retardar a progressão da doença.

Os sintomas iniciais mais comuns da DPOC incluem:

  • Tosse Crônica: Este é frequentemente o primeiro sinal. Pode ser uma tosse leve, mas persistente, que ocorre diariamente, especialmente pela manhã. Muitas vezes é chamada de "tosse de fumante".
  • Produção de Catarro (Pigarro): A tosse pode ou não vir acompanhada de uma pequena quantidade de muco claro, branco ou amarelado. Uma necessidade constante de "limpar a garganta" ao acordar é um indicativo comum.
  • Falta de Ar (Dispneia) Durante Esforços: A falta de ar é um sintoma chave, mas no início ela só aparece durante atividades que exigem um pouco mais de esforço, como subir uma ladeira, caminhar mais rápido ou carregar peso. A pessoa pode notar que se cansa mais facilmente do que outras da mesma idade.
  • Chiado no Peito: Um som sutil, semelhante a um assobio, pode ser ouvido durante a respiração, embora seja menos comum que a tosse e a falta de ar nos estágios iniciais.

É crucial entender que, por serem leves no começo, esses sintomas são frequentemente subestimados. A pessoa pode inconscientemente começar a evitar as atividades que causam falta de ar, adaptando seu estilo de vida à doença sem perceber.

O diagnóstico da DPOC pode ser baseado nesses sintomas, principalmente em indivíduos com mais de 40 anos que são fumantes ou ex-fumantes, ou que tiveram exposição prolongada a outras fumaças e poeiras. A confirmação é feita através de um exame de função pulmonar chamado espirometria.

Se você apresenta um ou mais desses sintomas, especialmente se for fumante ou ex-fumante, é essencial procurar um médico pneumologista. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado, incluindo a cessação do tabagismo, podem melhorar significativamente a qualidade de vida e alterar o curso da doença.

A exposição à poluição, poeira ou produtos químicos no trabalho pode causar DPOC?

Sim, a exposição contínua à poeira, produtos químicos e poluição no trabalho pode causar a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), mesmo em pessoas que nunca fumaram.

Essa condição, conhecida como DPOC ocupacional, é responsável por até 20% dos casos. A inalação constante de substâncias como sílica, poeira de carvão, vapores químicos e fumaça de solda leva a uma inflamação crônica e a danos permanentes nos pulmões.

Profissionais que atuam em mineração, construção civil, agricultura e soldagem podem apresentar um risco significativamente maior.