Distúrbios do Sono e Segurança Rodoviária: qual o impacto na condução?

Publicado em Outubro 27, 2025

5 minutos

Cerca de 40% da população brasileira sofre com distúrbios do sono, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Novo estudo realizado em março de 2025 pelo VitalAire Portugal que mede o impacto dos distúrbios do sono na sonolência ao volante.

Serão a fadiga e a sonolência, principais sintomas da apneia do sono, importantes fatores de risco para acidentes rodoviários?

O VitalAire Portugal associou-se à Organização Portuguesa de Segurança Rodoviária (PRP) para medir o impacto dos distúrbios do sono na condução.

É comparável aos riscos associados à condução sob o efeito do álcool, excesso de velocidade ou distração?

Por que é que os sinais de alerta, como bocejos repetidos ou dificuldade em manter os olhos abertos, não são levados a sério pelos condutores?

A fadiga e a sonolência ao volante são fatores de risco frequentemente subestimados, no entanto, desempenham um papel importante nos acidentes rodoviários.

Segundo o estudo "Fadiga, Sonolência e Distúrbios do Sono - Impacto na Segurança Rodoviária", realizado junto de 1.002 condutores portugueses, a fadiga é responsável por 30% dos acidentes rodoviários.

Dados alarmantes sobre fadiga e adormecimento ao volante

O estudo realizado pela Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP) em parceria com o VitalAire revelou uma realidade preocupante.

  • 1 em cada 4 condutores apresenta sonolência excessiva;
  • 1 em cada 5 têm risco elevado de apneia do sono;
  • 33% admitem conduzir em estado de sonolência extrema;
  • 9,4% afirmam já ter adormecido ao volante.

O que causa a sonolência excessiva ao volante?

Pessoas com apneia do sono podem apresentar fragmentação do seu descanso noturno.

Os microdespertares repetidos durante todo o período de sono impedem uma recuperação eficiente do organismo, podendo gerar deficiência na capacidade física e mental dos indivíduos acometidos.

Na amostra, os condutores profissionais, os trabalhadores por turnos e os jovens são particularmente vulneráveis à fadiga devido a horários e estilos de vida irregulares, que podem aumentar o risco de sonolência ao volante.

A posição estática prolongada ao volante também favorece o aparecimento de sonolência, especialmente em viagens longas e monótonas.

Percepção de risco e comportamento

Embora 86,9% dos condutores concordem que não devem conduzir com sono, e 91,4% admitam que esta condição aumenta o risco de acidente, um número preocupante minimiza o perigo.

  • 9,6% dos participantes afirmaram que continuariam a conduzir mesmo cansados;
  • 18,4% pensam que conseguem conduzir em segurança mesmo cansados;
  • 5,2% consideram aceitável conduzir com dificuldade em manter os olhos abertos.

Fadiga ao volante: um fator de risco negligenciado

A fadiga tem um impacto semelhante ao da condução sob o efeito do álcool, excesso de velocidade ou distração.

O estudo revela que 29,7% dos condutores envolvidos num acidente no último ano citam a fadiga ou sonolência como a principal causa.

Além disso, 44,9% afirmaram ter tido um acidente evitado por pouco (quase-acidente), dos quais 20,9% estavam relacionados com fadiga ou sonolência.

Ideias erradas para combater a fadiga

Muitos condutores recorrem a estratégias ineficazes para combater a sonolência ao volante.

  • Aumentar o volume do rádio (34,3%) não desperta e arrisca mascarar os sinais de alerta.
  • Abrir as janelas ou ligar o ar condicionado (40,8%) cria uma ilusão temporária que desaparece em poucos minutos.
  • Beber café (28,9%) oferece uma falsa sensação de segurança, pois o seu efeito estimulante é temporário.

" Muitos condutores subestimam os riscos e supervalorizam a sua capacidade de lidar com a fadiga, utilizando estratégias ineficazes que aumentam o risco de acidentes." Alain Areal, Presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa.

O que deve fazer se estiver a adormecer ao volante?

As medidas mais eficazes continuam a ser as menos adotadas:

  • Fazer um intervalo para repouso (11,2%), considerada eficaz por 82,5% dos condutores;
  • Pedir a um passageiro para assumir o volante (13,0%), considerada eficaz por 86,5%.

O impacto dos distúrbios do sono na condução

O estudo revelou ainda que um em cada cinco condutores têm um risco elevado de sofrer de apneia obstrutiva do sono, uma condição que compromete a qualidade do descanso e aumenta a sonolência diurna.

Além disso, 10,7% dos condutores relataram ter um distúrbio do sono diagnosticado, sendo os mais comuns a insónia (53%) e a apneia do sono (41%).

A dívida de sono prejudica significativamente os reflexos. Uma noite de sono fragmentado diminui o tempo de reação e reduz a visão periférica.

Como resultado, as capacidades de reação ficam muito diminuídas.

Conscientização e prevenção

A redução do número de acidentes exigirá uma abordagem 360°, combinando campanhas de conscientização sobre os perigos da fadiga ao volante; infraestruturas rodoviárias mais seguras (como áreas de descanso); tecnologias de segurança que detectam a fadiga; formação de condutores e maior envolvimento empresarial no combate à fadiga no trabalho.

" É essencial investir em campanhas de conscientização e prevenção sobre os perigos da fadiga e sonolência na condução, com ênfase no impacto dos distúrbios do sono, bem como na importância do seu tratamento adequado." Jorge Correia, Diretor Geral da VitalAire Portugal

Quer saber mais? Acesse o estudo completo agora mesmo.

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Referências

Em parceria com a agência de segurança rodoviária (Prevenção Rodoviária Portuguesa, PRP), o VitalAire, atividade da Air Liquide Healthcare em Portugal, consultou mais de 1.000 condutores. Foram utilizados questionários online para avaliar tanto a sonolência como o risco de apneia do sono.

Estudo Prevenção Rodoviária Portuguesa | VitalAire: Fadiga, Sonolência e Distúrbios do Sono – Que impacto na Segurança Rodoviária? | Março, 2025 | Disponível em:  https://pt.vitalaire.com/estudo-prevencao-rodoviaria-portuguesa-vitalai…