Tem dormido mal? Saiba a relação entre o sono e o diabetes

Publicado em Outubro 20, 2022

12 mins

Jovem com sonolência diurna e diabetes tipo I

Com o Brasil ocupando a sexta posição mundial em número de pacientes com diabetes, nunca foi tão importante falar sobre os impactos da doença no corpo – e como preveni-los!

Silencioso, porém com grandes impactos na qualidade de vida de pacientes, o diabetes já alcança grande parte da população brasileira. Tanto é que, de acordo com dados do Atlas do Diabetes, divulgado pela Federação Internacional de Diabetes (IDF), só nos últimos dez anos houve um aumento expressivo de 26,61% no número de diagnosticados, com previsão de alcançar 23,2 milhões de pessoas no Brasil, até 2030.

Apesar de preocupante, os números também alertam para um outro ponto importante: é possível prevenir e diagnosticar precocemente a doença, para evitar complicações graves, como amputações, perda de sensibilidade, cegueira e a neuropatia diabética, que pode acometer os pés e membros inferiores.

Quem está propenso a ter diabetes?

Antes que o diabetes de fato se estabeleça, o organismo dá alguns sinais – detectáveis por meio de exames – de que o indivíduo está na fase conhecida como pré-diabetes. Por isso é tão importante fazer check-ups frequentes e conhecer bem o funcionamento do seu corpo, para entender quando algo está errado. 

O pré-diabetes se mostra quando o índice de glicemia ultrapassa os 100 mg/dl (nível de açúcar por decilitro de sangue) em jejum. O ideal é que ele esteja na faixa de 80 a 100 mg/dl. Valores entre 100 e 125 em jejum indicam a fase de pré-diabetes e acima de 126mg/dl indicam diabetes.

De acordo com a própria Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), existem alguns grupos que podem apresentar o risco dessa doença. São eles:

Risco de Pré-Diabetes

Obesos, hipertensos e pessoas com alterações nos lipídios estão no grupo de alto risco. É importante destacar que 50% dos pacientes nesse estágio ‘pré’ vão desenvolver a doença. O pré-diabetes é especialmente importante por ser a única etapa que ainda pode ser revertida ou mesmo que permite retardar a evolução para o diabetes e suas complicações.

Gráfico de Níveis de Glicose

Diabetes Gestacional

Este tipo de diabetes não escolhe a mulher, porém, é possível acompanhar as alterações glicêmicas costumam ser observadas no início da gestação ou entre a 24 a 28 semanas (6º mês), e o mais importante: como a glicemia se comporta após o estímulo da ingestão de glicose, o famoso “teste oral de tolerância à glicose”.

Ainda que muitas vezes os sintomas não sejam identificáveis, os fatores de risco para diabetes gestacional englobam idade materna mais avançada; ganho de peso excessivo durante a gestação; sobrepeso ou obesidade; síndrome dos ovários policísticos; história prévia de bebês grandes (mais de 4 kg) ou de diabetes gestacional; história familiar de diabetes em parentes de 1º grau (pais e irmãos); história de diabetes gestacional na mãe da gestante; hipertensão arterial na gestação e a gestação múltipla (gravidez de gêmeos).

Diabetes Tipo 2

De acordo com a SDB, cerca de 90% das pessoas com diabetes têm o Tipo 2. Ele se manifesta mais frequentemente em adultos, mas crianças também podem apresentar. Dependendo da gravidade, ele pode ser controlado com atividade física e planejamento alimentar. Em outros casos, exige o uso de insulina e/ou outros medicamentos para controlar a glicose.

Para todos os tipos, o cultivo de hábitos saudáveis é mais que recomendado, já que se torna essencial para o controle, e, para casos de pré-diabetes, reversão da doença.

O hábito alimentar e a prática de exercícios são os principais fatores de sucesso para o controle da diabetes.

Muito mais do que uma rotina saudável

A mudança de hábito alimentar e a prática de exercícios são os principais fatores de sucesso para o controle da doença. No entanto, para 60% dos pacientes, segundo a SBD, a dieta é o passo mais difícil a ser incorporado na rotina. Ao todo, 95% têm dificuldades com o controle de peso, dieta saudável e exercícios regulares. 

É importante lembrar que o diabetes em si não leva ninguém ao óbito, porém, os maus cuidados com a doença, ou seja, a falta de hábitos saudáveis, pode ser fator predominante para que isso ocorra.

Na maioria dos casos, a doença está associada a condições como obesidade e sedentarismo, podendo ser evitada. É possível reduzir a taxa de glicose no sangue com medidas simples. Perder de 5 a 10% do peso por meio de alimentação saudável e exercícios faz uma grande diferença na qualidade de vida. E mais: uma boa noite de sono pode fazer grande diferença, assim como alimentação saudável e rotina de exercícios.

Sonolência diurna e fadiga em pessoas com apneia do sono.

Relação entre o sono e o diabetes

A importância de uma boa noite de sono não é de agora e, inclusive, já tinha relações diretas com o aparecimento de outras doenças, como o caso do diabetes tipo 2.

Segundo uma publicação de 2017 da IDF (Federação Internacional de Diabetes) foi relatado que a prevalência de algum tipo de distúrbio do sono entre as pessoas com diabetes é muito alta e pode chegar a 58%.

Este estudo demonstra que há uma crescente prevalência de algum tipo de distúrbio do sono entre pessoas com diabetes e, da mesma forma, há maior resistência à insulina em pessoas que apresentam apneia do sono. A apneia obstrutiva do sono é a interrupção da respiração durante o sono, por segundos ou até minutos, podendo ocorrer vários episódios durante a noite.

Na tentativa de retomar o oxigênio pela respiração, o organismo libera hormônios do estresse que podem elevar os níveis de glicose no sangue e, se não forem tomadas medidas adequadas, podem contribuir para o desenvolvimento de diabetes. 

É comum para quem sofre de AOS apresentar distúrbios alimentares, como o aumento do apetite, em decorrência da alteração dos principais hormônios da saciedade e por consequência,  apresentar um ganho de peso que poderá contribuir para o surgimento ou descontrole da Diabetes.

Além disso, devido ao sono deficiente, um estresse emocional pode ser gerado e impactar no metabolismo da glicose que pode ter um papel importante no desenvolvimento da resistência à insulina.

Todos estes fatores colaboram para o surgimento do Diabetes do tipo 2, além de, claro, estarem diretamente relacionados a riscos graves, já que a falta de oxigenação durante essas paradas respiratórias pode causar desde ataque cardíaco até acidente vascular cerebral (AVC).

Profissional conectando o equipamento de polissonografia domiciliar

Diagnóstico da AOS e cuidados

Em caso de suspeita, é necessário consultar com um profissional especialista que possa avaliar a qualidade do sono. O diagnóstico da Apneia do Sono é feito através do exame de Polissonografia, podendo ser feito no laboratório ou domiciliar.

O diagnóstico precoce da AOS é fundamental para a prevenção do agravamento de doenças, dentre elas, o diabetes tipo 2. Inclusive, para pacientes com diabetes e apneia, quando tratados, apresentam uma melhora gradativa no controle do açúcar no sangue, com diminuição da necessidade de tratamento medicamentoso.

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Referência

 IDF Consensus Statement on Sleep Apnea and Type 2 Diabetes | International Diabetes Federation (IDF) | 2017 | Disponível em https://www.idf.org/e-library/consensus-statements/62-idf-consensus-statement-on-sleep-apnoea-and-type-2-diabetes.html
Doentes de diabetes tipo 2 que sofrem de apneia obstrutiva do sono podem enfrentar a cegueira em quatro anos |Clinica do Sono. sono.com.br | 2017 | Disponível em: https://www.sono.com.br/blog/doentes-de-diabetes-tipo-2-que-sofrem-de-apneia-obstrutiva-do-sono-podem-enfrentar-cegueira-em
Página Diabetes | Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD)| Disponível em:  https://diabetes.org.br/#diabetes 

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